Tenho que te pedir desculpa
Semana passada, durante a sessão em grupo que temos toda semana, uma chavinha virou pra mim. Estávamos falando sobre a importância do networking e uma cliente reclamou do fato de que estava mandando mensagens, mas não estava recebendo respostas. É uma reclamação comum ultimamente. Pedi para rever as mensagens que ela mandou, e consegui entender o porquê da falta de respostas - as mensagens foram criadas com AI e estavam, como posso dizer... sem tempero. Mensagens que não me fariam parar pra ler, muito menos pra responder, como recrutadora.
Analisamos as mensagens das candidatas que receberam resposta e percebemos que, quanto mais "humana" a mensagem, maior o rate de respostas. Mensagens com com humor, com um gancho legal, com afirmações inusitadas (teve uma que ela colocou até "lol"). Então gastamos o resto da sessão reescrevendo as mensagens, pra deixá-las não só de um jeito que daria vontade de responder, mas também com "a cara" de cada candidata.
Eu sempre falo que nessas sessões, eu ensino, mas aprendo muito também. E, ao entrar no LinkedIn, percebi minha hipocrisia - eu estava reclamando de ver só posts sem tempero, os famosos "I am thrilled to announce", mas eu também tenho escondido a minha humanidade em mensagens/textos corrigidos e "melhorados" pela inteligência artificial - o clássico "faça o que eu digo mas não faça o que eu faço".
Eu sempre falo pras minhas clientes que são inseguras com sua fluência que o conteúdo do que elas tem a dizer vale muito mais que a gramática perfeita. Mas usar AI pra corrigir e mudar nossos textos, com a desculpa de que nosso inglês não é nativo, é colocar a gramática/a estrutura correta/a busca pela perfeição acima do nosso conteúdo, da expressão de quem somos.
Digo tudo isso pra confessar que tenho usado a AI nas newsletters que você recebeu até aqui. E por isso quero te pedir desculpa. Prometo que não faço mais. Ainda vou usar AI para textos técnicos ou com suporte para organização, mas textos que são expressão de quem sou, da minha alma, vão ser com minhas palavras, minha estrutura, meus erros. E é esse espaço que quero criar aqui. Aonde posso me despir da capa de "autoridade" em qualquer assunto e posso simplesmente falar de coisas que estou pensando, aprendendo e mudando. E, assim, estender o convite a você.
Então hoje é esse o convite: você topa ser mais você nas suas comunicações, textos e mensagens? Topa honrar a expressão de quem é? E se formos mais a fundo ainda, o que mais você tem visto que te irrita, te frustra mas que você precisa primeiro SER a mudança que quer ver?
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